terça-feira, 4 de agosto de 2020

O olhar que cega

Como já é característico e até natural "falarmos de parentes e  amigos"- pela proximidade , tão natural, recordo cena do aniversário de um con-cunhado...Existe a figura e às vezes se faz bem presente.


Este tem como perfil psicológico o domínio absoluto do que afirma. Nada é duvidoso ao sair dos seus lábios. Dono de uma indústria de porte médio e bem sucedida, sabe o que pensa cada funcionário. Assim como não admite homem vestir camisa ou  calça vermelha, cerveja só é  tragavel se for  Brahma. O "resto" ele diz que não tolera e sente nojo só de cheirar...



Pois, na véspera do seu aniversário, os amigos resolveram testar seu requinte gustativo: quanto deu um pulo ao banheiro, pediu-se uma Antarctica que  foi servida em seu copo - com a devida ocultação do vasilhame. Claro. 


Brindou-se à data do niver, e, para surpresa geral - ao invés de jogar o copo no chão - estalou a língua e exaltou do estado: geladíssima!?!

Naturalmente, bebeu toda aquela garrafa , enquanto durou a noite, e outras Brahmas...também geladissimas.


Até hoje ninguém contou o ocorrido, mas os amigos já repetiram "a dose" - pra alegria geral.


Claro que degustar cerveja não tira nem dá crédito a ninguém - exceto a profissionais. Mas a lição da  prepotência e da ilusão de ter controle sobre tudo e todos fica aqui registrada. Quanto mais ferrenho, irascível e cego o indivíduo se mostra, mais pode ser iludido em suas certezas - sempre absolutas. Pior: menos ele se dá espaço para apreciar o novo e o diferente. Pena.

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