segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Estão apertando o cinto da folgada ‘mídia social’

      Começou pela França um movimento planetário - que está mais vivo na Europa - direcionado para podar um pouco as liberalidades do mundo virtual. 

     No dia 9 deste mês, a Corte de Apelações de Paris tornou válida, juridicamente, a determinação da Autoridade da Concorrência francesa no sentido de obrigar o Google a negociar certa remuneração à imprensa quando ele usar os conteúdos dos meios jornalísticos clássicos (jornal, revista, TV e rádio).


     O processo que precedeu tal decisão vai ter, para o Google, um custo de 60.000 euros, já. Naturalmente, a partir de agora, toda vez que  a gigante americana "pescar" dados apurados e divulgados pela imprensa terá de negociar com esta cada valor. Afinal, a apuração e a divulgação são  investimentos expressivos e típicos do jornalismo, não de "qualquer um" que os furte. 


    Como acontece com os costumeiros "processos judiciais", este teve início há um bom tempo, em 2019, e o argumento básico é o equilíbrio na concorrência entre os diversos meios de Comunicação, com a aprovação pelo Parlamento Europeu. Na ocasião foi destacado que as perdas de editoras e agências de notícias francesas chegavam a quase 400 milhões de Euros - até então.


     Também na Austrália, o mesmo movimento fez o governo rascunhar uma lei tornando obrigatório o pagamento pelo dos dados dos meios jornalísticos. Logo o Facebook saiu com uma ameaça de "bloquear  o compartilhamento de notícias em suas plataformas, se o governo aprovar a lei que desafia a lógica!"


     Vê-se que os donos do negócio mais rentável da última década sabem praticar o velho "bullying", talvez, por isso estejam tão no topo da pirâmide financeira. Se acham maiorais e não submissos à legislação dos países. Tudo porque deixaram a "fera" se agigantar e tornar-se um vício. Mas sempre há tempo para corrigir rumos de rios, por mais que eles se julguem oceanos. Será que o Brasil já começou a pensar no problema? Está na hora. Ou bonde vai passar.

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