quinta-feira, 30 de julho de 2020

O sentido das coisas e a sensibilidade sobre elas


     Está se tornando um lugar-comum os relatos de ocorrências durante os passeios com os "dogs".
Este ocorreu ontem, de tardinha.
     Um casal e uma menina se emparelharam a nós, percebi que forçados pela amistosidade da filha - depois soube que tinha sete anos.

     Depois de reclamar asperamente com a garota por estar fazendo carinho em um dos cachorros - vai lambuzar a mão, disse ele - retruquei:
     - Não se preocupe, tomaram banho hoje cedo...E estão gostando da simpatia de sua menina. 
     A resposta veio enviezada: 
     - Como pode saber disso? As pessoas têm a mania de achar que a cachorrada entende a gente!
      Não resisti e contei a história real, uns 10 dias atrás, quando levei um tombo e os dois cães que me levavam a passear me consolaram, com lambidas, até que me levantasse. Contei também qual foi a reação do casal de humanos que passou, na hora, e apenas olhou.
     Adiantei- me um pouco, olhei nos olhos da figura masculina e propus:
     - Para o senhor, quem entendeu melhor minha situação, caído de costas no chão, em plena rua, e reagiu de maneira mais humanamente desejável?
     O "macho" da família deu uma risada e assegurou: 
     - Se beijo de cachorro fosse coisa boa, no Japão e na Rússia eles não faziam churrasco com eles. Já tive lá e comi. Foi gostoso...
     A mulher do meu interlocutor apoiou a mão no queixo e se espantou:
    - Nilo, você nunca saiu do Estado do Rio...Meu filho. Desculpe moço, ele é brincalhão...
    - Deixa pra lá - respondi. Até porque nem no Japão nem na Rússia se faz churrasco com cães...Mas pela experiência que tenho com eles, os baixinhos aí entendem muito mais de ser humano do que milhares de humanos. Claro, sem querer ofender o casal ; se é  que estão me entendendo. Boa tarde. Sua filha parece que entendeu...

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